domingo, 31 de março de 2013

Todo vazio

Todo vazio

No final de tudo
Andei, andei, apenas andei
Passei por todas
Fui chumbo fui pluma
Mergulhei em multidões de mim
Procurei zilhões de outros
E, ainda sou fragmento de qualquer coisa
Quero ser o estandarte da felicidade
Mas não percebo um átomo dos erros que cometi
Sou só vontade e intensão
Sou quarto escuro de mim
Vivo com medo de me encontrar
Sou imenso vazio que estou
Um emaranhado do que será

Eduardo Morais

sábado, 30 de março de 2013

Tatuagem


Tatuagem

As digitais de um rio
Tatuaram meu espírito
Sou por isso matizada
Povoada de estações

Afeita a cidades antigas
E ruas estreitas
Alinhavada de correntezas...
(Marinalva Barros)

 Bread and Breakfast "La Martellina" em Florença, Itália

fado Italiano


Fado Italiano 


Vejo a Itália em terracota.
Sinto-a em tons de ocre
ao olhá-la, ao tocá-la
pela primeira vez
como se a ela pertencesse
como se dela eu fosse
há milênios.
Já conhecia suas ruas.
Imaginava ali
debaixo dos meus pés
séculos em camadas
sobrepostas.
E eu, pisando neles
como quem pisa
em nuvens,
sonho de antigas eras
sonhado.[...]

Trago a Itália comigo.
trago as cores de seu solo,
de suas gentes misturadas
em tons
de toda a humanidade.
Trago a guerra
em meu sangue quente e apimentado.
Trago a Calábria e o Chianti,
e a Toscana, terra encantada.
Tenho os ciprestes altivos,
tenho a arrogância dos Césares.
Trago a plebe.
Trago o Arno.
Trago o Tibre
em minhas veias
correndo como correm os rios
em direção ao meu mar.
A mar.

Amo esta terra
de oliveiras e vinhedos.
Sou terracota e etrusca,
grega e celta,
devota e pagã.
Trago o fogo
e a raiva em meu peito.
Sou feita dessa mistura
de terra e colinas,
ruínas, conquistas.
Sou rude e amorosa
como as mamas
amassando a pastaciutta,
arando a terra prenhe
em sementes[...]
(Glória Leão)
... o rio Arno percorre a Itália de norte a sul... durante o seu percurso ele sofre por tratamentos de despoluição... em certos trechos suas águas são límpidas!!


sexta-feira, 29 de março de 2013


“Desde criança fui possuído pelo demônio das viagens.
Essa encantada curiosidade de conhecer alheias terras
e povos visitou-me repetidamente a mocidade e a idade
madura. Mesmo agora, quando já diviso a brumosa casa 
dos setenta, um convite à viagem tem ainda o poder de 
incendiar-me a fantasia. Na minha opinião, existem 
duas categorias principais de viajantes: 
os que viajam para fugir e 
os que viajam para buscar. 
Considero-me membro deste último grupo.”

- Erico Verissimo,
in Solo de Clarineta.